
Egas Moniz, o aio perfeito
Regressa da sua jornada a Leão,
Onde foi de corda ao peito,
Como sinal de humilhação.
Fora a Leão apresentar-se a el-rei
Esperando dele uma punição,
Pois a rebeldia era punida por lei
Enquanto tutor do conde infante
Dera a sua palavra mais singela,
Que o luso condado seria constante
A D. Afonso VII de Leão e Castela.
Mas o conde já não é um catraio
E tem outros desejos e ambições
E por isso lá foi o pobre do aio,
Rumo a Leão aos tropeções.
Levara consigo uma grande comitiva:
Família, vassalos e demais criados,
Todos penitentes de na expectativa
De virem a sofrer castigos pesados.
Egas Moniz, rumara ao calabouço
Ou até mesmo, quiçá, ao cadafalso!
Levou apenas uma corda ao pescoço,
Modesta roupa e o pé descalço.
Perante tal inaudita demonstração
De honra, penitência e seriedade,
Condoeu-se o rei de Castela e Leão
E deixou partir o aio em liberdade.
Agora na sua viagem de retorno
Caminha o aio na estrada agreste
Com o sol queimando, com um forno.
Merecia melhor tratamento celeste!
Mas ao passar por uma aldeia modesta,
Achou uma árvore deveras admirável:
Dava sombra como uma floresta
Abrigava a todos do calor intolerável .
Era um carvalho com sombra à fartura
Oferecida por sua folhagem frondosa.
Nunca havia sentido tanta frescura,
Achou esta árvore maravilhosa.
Um carvalho tão grande e acolhedor
Que dava uma sombra fresca e genuína,
Aparecendo-lhe na hora de maior calor,
Só podia ser de plantação divina.
Mandou parar o seu nobre cortejo
E montar acampamento naquele lugar,
Para comer, beber e cumprir o desejo
De ter um sítio afável onde descansar.
A sombra do carvalho saciou Egas Moniz
E também todo o seu séquito cansado
De tal maneira que o notável aio quis
Saber mais detalhes sobre o povoado.
Mandou chamar um simples lavrador
E demandou-lhe o nome da povoação.
"Chama-se Lisboínha, meu senhor."
"A partir de hoje, não se chama não!"
"Este Carvalho é uma árvore milagrosa
É certamente obra de divina actividade.
E em honra de árvore tão espantosa
Mudarei o nome da vossa localidade".
"Para comemorar a minha passagem
E consagrar este carvalho imponente,
Chamar-se-á este sítio em homenagem
Carvalho de Egas daqui para a frente."
E foi assim que aquela aldeia petiz
Carvalho de Egas se passou a chamar,
Em tributo ao aio Egas Moniz
E ao carvalho onde pôde descansar.
Por: Ilídio Inocêncio Monteiro Alves